Antes mesmo de chegar ao estande da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Amanda de Assunção Silva, estudante de Música da instituição, encontrou uma cena que a emocionou: crianças com livros nas mãos, algumas sentadas, já curiosas para descobrir o que havia entre as páginas. Em tempos de tantas telas, foi o entusiasmo dos pequenos leitores que mais chamou sua atenção na 13ª Festa Literária Internacional de Maringá (Flim).
Com o tema “A América é Nossa”, a 13ª Flim propõe reflexões sobre a memória, a diversidade cultural e as múltiplas identidades latino-americanas. Nesse cenário, a UEM participa com atividades de ensino, extensão e diferentes expressões artísticas que ampliam a circulação de conhecimentos e aproximam a comunidade acadêmica do público. Da literatura à produção audiovisual, as iniciativas mostram como histórias e experiências encontram novas formas de ser compartilhadas fora do campus.
Para a reitora Gisele Mendes de Carvalho, a presença da instituição na Flim amplia as oportunidades de acesso à cultura e permite compartilhar conhecimentos com diferentes públicos.
“Essa democratização da ciência, da cultura, possibilita que a cultura chegue a mais pessoas, e esse é um papel da universidade”, afirma Carvalho.
A participação da UEM também se reflete na movimentação do estande institucional. Segundo o diretor de Cultura da Universidade, André Luis Rosa, levantamento preliminar aponta que cerca de mil pessoas frequentaram o espaço e acompanharam as atividades, sem considerar aquelas que apenas passaram pelo local. A expectativa é que as ações desenvolvidas pela instituição alcancem diretamente entre 2 mil e 2,5 mil pessoas até o encerramento da festa.
Além das atividades do curso de Letras e da Editora da Universidade Estadual de Maringá (Eduem), a programação da UEM contempla iniciativas de artes, comunicação e outras áreas acadêmicas, incluindo projetos relacionados à biologia e à educação física.
A literatura também se aprende fora dos livros
Para os estudantes de Letras, a Flim oferece a oportunidade de conhecer escritores, acompanhar debates e entrar em contato com diferentes produções literárias.
Professor do Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias (DTL) da UEM, Neil Franco participa da festa desde 2018 e incentiva os acadêmicos a acompanhar a programação. Para o docente, a experiência amplia o repertório dos futuros professores de língua e literatura, especialmente pelo contato com autores independentes e produções nacionais, internacionais e paranaenses.
“A gente sempre incentiva que eles venham para uma formação para além da sala de aula”, afirma Franco.
A experiência literária também se transforma em exercício de produção jornalística. Por meio de O Consoante, projeto de ensino desenvolvido nos moldes de um jornal-laboratório e vinculado ao DTL, estudantes acompanham a programação da Flim, entrevistam escritores e visitantes e produzem notícias sobre a festa.
Estudante de Letras e integrante de O Consoante há quatro anos, Luísa Thomasi destaca o envolvimento dos acadêmicos, especialmente daqueles dos primeiros anos, na cobertura do evento. O trabalho permite registrar diferentes momentos da programação e levar informações também a quem não pôde participar presencialmente.
Quando a produção universitária encontra o público
O audiovisual também ganhou espaço na Flim. Uma parceria entre o Cine UEM, o Centro Acadêmico de Comunicação e Multimeios (Caco), a Diretoria de Cultura (DCU) e o projeto Imaginários em Movimento possibilitou a exibição de diferentes produções audiovisuais durante a festa.
Para Fernanda Souza Camurci, estudante de Comunicação e Multimeios, apresentar trabalhos fora da Universidade permite compartilhar com a comunidade produções desenvolvidas no ambiente acadêmico, evidenciando a relação entre ensino, pesquisa e extensão.
A experiência ganhou um significado especial para Felipe Fernandes, também estudante do curso, que apresentou o filme Ameaça Invisível e acompanhou a reação dos espectadores.
“Ver o pessoal assistindo atento e depois debatendo sobre um projeto que eu despejei tanto carinho e amor é o tipo de experiência que faz a vida valer a pena”, relata Fernandes.
Uma universidade que se deixa conhecer
Promovida pela Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Cultura, a 13ª Flim termina neste domingo (18), na Travessa Jorge Amado. A participação da UEM é coordenada pela DCU, vinculada à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PEC). A programação gratuita contempla encontros literários, oficinas e diferentes manifestações artísticas.
Para Kauana Barbosa Cordeiro, de 19 anos, estudante de Filosofia da UEM e estagiária de uma biblioteca pública, a primeira visita à Flim foi também uma oportunidade de refletir sobre o acesso à cultura e a relação entre a Universidade e a população.
Cordeiro considera que o ambiente acadêmico pode manter os estudantes distantes de outras realidades e vê nos projetos de extensão uma possibilidade de ampliar esse contato.
“É uma forma muito mais humanizada de você ver o que está acontecendo no mundo”, afirma.
Entre crianças interessadas pelos livros, acadêmicos que entrevistam escritores e jovens que apresentam suas produções ao público, a participação da UEM mostra que o conhecimento também se constrói no encontro com outras pessoas.
(Arieli Prestes/Comunicação UEM)

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