O Hospital Universitário (HUM) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) atendeu uma média de 4,6 casos de lesões autoprovocadas desde janeiro de 2023, num total de 205 casos registrados, todos com entrada pelo Pronto Atendimento (PA). O dados da Auditoria Médica do Hospital revelam a importância da saúde mental, durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à preservação da saúde da mente e prevenção do suicídio e valorização da vida.
Em 2023, o HUM atendeu a 36 casos de lesão autoprovocada; em 2024, foram 78 atendimentos; em 2025, 64 casos foram atendidos; por fim, em 2026, até o dia 3 de setembro, foram atendidos 27 casos. A maioria dos atendidos é mulher (60%), correspondente a 123 dos 205 atendimentos, enquanto os homens (40%) correspondem a 82 atendimentos. Nem todo caso de lesão autoprovocada atendido configura, imediatamente, tentativa de suicídio, pois a identificação dela depende da evolução do caso.
A idade média dos atendidos é de 31,3 anos, com maioria entre os 10 e 39 anos de idade (71,2%) e concentração entre pacientes jovens, de 30 a 39 anos (112 atendimentos, ou 54,9% do total). A maioria dos pacientes vem durante o período noturno (58,5%).
Entre os motivos de entrada de pacientes, lideram as auto-intoxicações por medicamentos ou outras substâncias, correspondentes a 162 atendimentos (79%). Os outros 43 registros de atendimento são distribuídos entre diferentes tipos de lesões autoprovocadas. Ao todo, 84,9% dos casos atendidos no HUM são considerados urgentes ou muito urgentes e, do total de 205, 131 (63,9%) foram encaminhados para internação, o que evidencia a importância assistencial e a gravidade dos casos.
Preservação da vida
Um dos objetivos da campanha Setembro Amarelo é justamente a preservação da vida, o que leva à reflexão a respeito das tentativas de suicídio, que são multifatoriais e representam uma tentativa de alívio de dor e sofrimento pelo paciente. Segundo a psicóloga residente do HUM Gésly Morais, os dados revelam a importância da abordagem sobre saúde mental o ano todo, não só durante o mês de setembro.
“Estamos falando de mais de 200 situações de sofrimento que chegaram a um serviço de saúde e precisam de cuidado adequado. É preciso acolher o sofrimento mental antes que chegue a uma situação de crise. O sofrimento psíquico deve ser reconhecido tanto quanto o físico. Falar sobre saúde mental ajuda a diminuir o estigma”, ponderou.
Entre as orientações gerais, às famílias de pacientes que passam por situações semelhantes, a psicóloga orienta dificultar o acesso a medicamentos, tanto controlados quanto os mais disponíveis (analgésicos, por exemplo). “A auto intoxicação é uma situação de emergência, que enseja, também, um cuidado desse paciente após o período crítico de urgência médica, principalmente se houver histórico de tentativas de suicídio”, emendou a psicóloga.
Embora não exista um único sintoma que leve um familiar, amigo ou conhecido a desconfiar de situações de autolesão ou automutilação, a psicóloga orienta a, sempre, desconfiar de mudanças de atitudes, conjuntos de sintomas que podem significar uma propensão a esses tipos de sofrimento. Os sintomas mais comuns são, entre outros, isolamento social, alterações importantes no sono e/ou no apetite, perda de interesse por atividades que antes geravam prazer, sentimento de “culpa” e de “ser um fardo” para familiares e amigos.
O acolhimento ao paciente, nesses casos, é sempre individualizado, evitando fórmulas simplistas ou abordagens reducionistas. “Não existe um só fator que desencadeia uma situação dessas. Muitas vezes, são muitos fatores, de ordem social, financeira”, encerrou.
Como buscar ajuda
A UEM oferece serviços voltados a quem esteja passando por esse momento. O Ambulatório de Residência em Psiquiatria oferece atendimento gratuito para toda a comunidade acadêmica. O serviço atende no Bloco 006. O telefone para contato é (44) 3011-5874.
O aplicativo Bem Estar UEM, criado para divulgar os serviços oferecidos pela Pró-Reitoria de Recursos Humanos (PRH), por meio da Diretoria de Assuntos Comunitários (DCT). Com foco no fortalecimento da permanência e assistência estudantil, o aplicativo oferece caminhos para atendimento psicológico, que pode ser agendado pelo telefone (44) 3011-4038. O serviço tanto atende a comunidade acadêmica quanto ajuda no encaminhamento para a rede de saúde do SUS.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um serviço voluntário, de abrangência nacional, que oferece o número 188 e o e-mail apoioemocional@cvv.org.br para atendimentos. Os atendimentos são gratuitos e o sigilo é total. O CVV funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
(Willian Fusaro/Comunicação HUM)

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