Tenista João Menezes agora sonha com a Olimpíada


Representar o Brasil em uma edição dos Jogos Olímpicos é um feito que talvez só seja ultrapassado em importância na carreira de qualquer atleta pela conquista de uma medalha olímpica. E para o tenista João Menezes, é claro que não é diferente. Com o título dos Jogos Pan-Americanos de Lima em 2019, ele precisa "apenas" estar entre os 300 melhores do mundo no ranking da ATP, em 7 de junho de 2021, para garantir presença nos Jogos de Tóquio. Em contato com a Agência Brasil, o jovem atleta de 23 anos disse que representar o Brasil na Olimpíada é uma das prioridades dele para a próxima temporada.

"Chegar bem nos Jogos é um dos meus maiores objetivos. Vou torcer muito para que o coronavírus dê uma folga e que a Olimpíada possa acontecer", disse o atleta. Ele lembrou que no início dessa temporada, antes da pandemia, fez ajustes no calendário de torneios para chegar bem adaptado ao piso que será usado no Japão. "Optei por jogar mais em quadras rápidas. Saí dos Estados Unidos para jogar o Rio Open e depois voltei para participar do torneio em Acapulco. Muitos poderiam ter se perguntado porque eu não tinha jogado outros ATPs aqui na América do Sul, como o de Punta del Este. Eu queria fazer uma preparação justamente para chegar bem em Tóquio", recorda.

Além da conquista em Lima, João levou também o título do Challenger de Smarkand, no Uzbequistão, e ficou com o vice-campeonato no Challenger de Birmingham, nos Estados Unidos. Conquistas que fizeram da temporada passada a melhor da carreira do tenista mineiro. "Fiz três semifinais nos Estados Unidos, uma no Canadá, tive o vice nos Estados Unidos e os títulos. Consegui jogar em um nível legal em pisos diferentes. Com certeza, foi o melhor período da minha carreira", comenta.

Treinamento
Atualmente, com os torneios paralisados pela pandemia da covid-19, João Menezes e outros oito tenistas (Thiago Monteiro, Bia Haddad Maia, Felipe Meligeni, Carol Meligeni, Ingrid Martins, Orlando Luz, Igor Marcondes e João Sorgi) estão participando de um período de treinamentos da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) em Itajaí (SC). "No início da pandemia, fui para casa em Minas. Depois passei um tempo em Campinas, na casa da minha namorada. E após dois meses, voltei para cá. Normalmente, eu já treino aqui mesmo. Nesse período de pandemia, a gente está tendo condições muito boas de treinamentos. Com jogadores de um nível bom, todo mundo pode se manter no ritmo. Acredito que todos estamos bem treinados. Já estamos há quase três meses por aqui reunidos", destaca.

João Menezes aguarda a retomada dos torneios, o que deve ocorrer em agosto (ainda sem confirmação oficial), para tentar chegar o mais próximo possível do "top 100" do ranking mundial. Na atualização mais recente, em março, ele apareceu na posição 185. A melhor posição ocupada por ele foi a 176ª, no mês de fevereiro. "Queria fechar 2020 entre os 110, 120 melhores. Mas a pandemia atrapalhou tudo. Agora é aguardar para ver quanto ainda teremos de tempo nesse ano e até onde eu conseguirei chegar".

Ouro no Pan de Lima
Nos Jogos de Lima, em 2019, João Menezes colocou o nome dele na história do tênis brasileiro ao conquistar a medalha de ouro. Ele é o sexto tenista a faturar o ouro para o Brasil no Torneio de Simples do Pan, depois Ronald Barnes (1963), Thomaz Koch (1967), Fernando Roese (1987), Fernando Meligeni (2003) e Flávio Saretta (2007). "Até já joguei mais, em termos de qualidade, em outros torneios. Mas por tudo que o Pan representou, foi a minha maior conquista. Por mais que o tênis não tenha o reconhecimento que eu acho que deveria ter no Pan, aquela conquista foi mágica, mudou a minha vida. Junto com a CBT e a equipe multidisciplinar, eu carrego sempre comigo a ideia de que não podemos recusar a chance de representar a bandeira brasileira em nenhuma ocasião".

E engana-se quem acha que o caminho do brasileiro foi fácil até chegar à medalha de ouro. Na estreia, o cabeça de chave número sete do torneio fez 2sets a 0 no uruguaio Franco Roncadelli. Nas oitavas, o argentino Francisco Cerundolo (460 do mundo) levou 2 a 1 do brasileiro. Nas quartas-de-final, João Menezes passou pelo chileno Nicolas Jarry, o único top 100 do torneio, com outro 2 a 0. Na semifinal, outro favorito caiu: o argentino Facundo Bagnis, mais experiente, levou a virada por 2 a 1. Na final, João repetiu o placar em outro chileno, Tomás Barrios, 286 do ranking. "Das oitavas em diante, joguei contra adversários de nível challenger e tinha o Jarry que era nível ATP. A partida da segunda rodada talvez tenha sido a mais difícil. Perdi o primeiro set por 6/2, não estava achando o meu jogo. Depois consegui virar e vi que tinha chances. Contra o Jarry, ele rifou muito a bola e eu estava bem no fundo de quadra. E os dois últimos jogos foram muito duros".

Além disso, com a conquista confirmada, ele pôde fazer a festa com os familiares lá em Lima, o que tornou a vitória ainda mais especial. "No começo, meu pai e três primos dele já tinham planejado a viagem. E, quando eu fui para a final, mais três saíram de carro lá de Uberaba (MG) e foram para São Paulo para pegar um voo para o Peru e acompanhar o jogo. Eles decolaram no sábado à noite, chegaram lá no domingo pela manhã. Foi muito especial mesmo", finaliza.
(Texto: Juliano Justo/Agência Brasil. Foto: Abelardo Mendes Jr/Rede do Esporte)

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