MUNDIAL JUVENIL: Planejamento é a arma brasileira para buscar o título

Favorito. Este é o rótulo que o Brasil carrega em qualquer competição que dispute no voleibol. E a regra vale não só para o time adulto, mas as seleções de base, onde quer que vão, também colaboram com a manutenção deste status, conquistado ao logo de quase três décadas de desenvolvimento. E, neste mês de setembro, o favoritismo volta à baila nos mundiais juvenis masculino e feminino que acontecem, de forma simultânea, no México e em Porto Rico, respectivamente. 

Não por acaso os representantes verde e amarelos nos dois naipes são apontados como candidatos ao título nas duas competições. Realizados desde 1977, os mundiais juvenis têm sido um terreno fértil de conquistas brasileiras no vôlei, e fonte profícua de novos talentos a cada geração. No feminino são 14 medalhas, sendo nove de ouro, fazendo do nosso país o maior vencedor da categoria. Os rapazes não ficam atrás, têm 13, quatro delas douradas. 

Mas para colher estes frutos a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) conta com profissionais dedicados ao desenvolvimento de atletas e a formação de equipes, e baseia-se em um programa de preparação cuidadosamente planejado para atingir os objetivos. Um dos cérebros por trás disso é o Supervisor das seleções masculinas de base Antônio Marcos Lerbach. Marquinhos, como é conhecido, tem envolvimento com o voleibol brasileiro há mais de 30 anos. Em 1982, então assistente técnico, ingressou na equipe nacional. Em 2011 assumiu o papel que exerce até hoje.

"Sou supervisor das seleções desde 2008, comecei pela seleção adulta e depois, em 2011, migrei para a base para reorganizar o trabalho e tentar elevar ainda mais o nível da preparação. Minha principal função é organizar o programa das equipes, montar o planejamento dos ciclos de trabalho das seleções de base, que acontece a cada dois anos. Quando temos um programa bem montado, conseguimos preparar bem os atletas e, consequentemente, eles avançam nas categorias com mais condições de compor a seleção adulta. Esta não é somente a minha função, mas de todos os supervisores que trabalham nas delegações", explicou Lerbach. 

Para os mundiais de 2015 o trabalho teve início ainda em 2013. E o supervisor do Brasil conta que logo após o quinto lugar do Brasil no Mundial Infanto-Juvenil Masculino ele e as comissões técnicas começaram a analisar quais foram as dificuldades encontradas e que necessidades precisam ser supridas. No diagnóstico estava a melhoria do condicionamento físico e pouca rodagem internacional. O ciclo seguinte contou com uma atenção especial a estes detalhes.

"Uma das coisas que notamos era que precisávamos priorizar a rodagem dos atletas, então organizamos duas excursões na Europa, uma em 2014 e outra em 2015, e jogamos contra os melhores times do continente. Participamos da Copa Pan-Americana. Fizemos um trabalho em conjunto com os clubes para que os jogadores melhorassem a condição física e alcançamos um novo nível", completou o supervisor.

E neste ano o trabalho já surtiu efeito. As equipes masculina e feminina do Brasil conseguiram avançar a segunda fase dos respectivos campeonatos mundiais. Em Mexicali (MEX), os comandados de Léo Carvalho passaram por Cuba, Irã e China, enquanto em Gurabo, Porto Rico, as meninas da equipe de Maurício Thomas superaram a República Tcheca, Turquia, foram superadas pela República Dominicana, mas ainda sim segue na competição. Os dois treinadores fazem coro ao comentarem a importância do modelo adotado para preparas as delegações para as principais competições da modalidade.

"O mundial este ano mudou de data e local, o que nos deu mais tempo para nos prepararmos. Nesse período de quatro meses tivemos a oportunidade de jogarmos a Copa Pan-Americana adulta em Lima (PER), jogando contra equipes mais experientes e chegamos ao sexto lugar entre 12 participantes. Essa competição foi fundamental para ganharmos experiência internacional em um nível adulto. Nosso time teve uma preparação excelente oferecida pela CBV, que nos deu as melhores condições durante todo o período", explicou o treinador do time juvenil feminino, Maurício Thomas.

Para Léo Carvalho, técnico do masculino, o investimento feito é fundamental para deixar o Brasil no rol de potências mundiais do voleibol. O treinador, que está desde 2011 no cargo, classificou o programa de preparação como "muito rico" e reconheceu o papel da Confederação Brasileira de Voleibol neste planejamento.

"Nos últimos quatro anos temos seguido um modelo que, na minha opinião, é muito coerente e correto, que nos possibilita sermos competitivos. O papel da CBV é integral. Essa preparação tem um custo e a confederação vem investindo de forma significativa, não só neste ano, sou treinador desde 2011 e sempre tivemos o mesmo programa. Em Saquarema a nossa condição de trabalho é muito boa. Outra questão importante é a possibilidade de avaliar jogadores pelo Brasil. Trabalhamos com tranquilidade pois sabemos que temos todo o respaldo da instituição, e espero que esta visão continue, pois é ela que nos permite sermos tão competitivos e sem isso não conseguiríamos", concluiu Léo.

A partir desta terça-feira (15.09) as equipes brasileiras recomeçam a caminhada em busca de medalhas. O time juvenil masculino, agora em Tijuana (MEX), enfrenta a Argentina, às 18h (hora de Brasília) e está no grupo E, que ainda tem Turquia e Eslovênia. Na competição feminina, o Brasil encara a Itália, às 2oh30 (hora de Brasília), e na sequência joga contra o Rússia e Sérvia.

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